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Questão de Classe

Professores:
Essa semana no blog Questão de Classe - novas brincadeiras e jogos para o primeiro dia de aula, arquivos para baixar e preparar sua aula, dicas de comportamento, e a nova Rede Questão de Classe, já à sua espera.

O diário das novelas

6 julho, 2008

Meu marido reclama que escrevo muitas coisas pessoais nos blogs, que ficariam melhor num diário. Eu explico a ele que um blog é um diário, só que virtual. Ele insiste que se são pessoais, as coisas deveriam estar em um caderno, trancadas. E eu digo que não tenho nada pra esconder, então não preciso escrever num caderno escondido e trancado.

Taí uma coisa que eu não entendo. Se alguém tem uma coisa secreta, que ninguém pode descobrir, por quê escrever num diário? Já viram em novela, de vez em quando se acha um diário (como na novela em que a Regina Duarte trocava de bebê com a filha e anotava tudo num diário). Quando se descobre um diário em novela, pode saber que lá vem bomba!

Mas, cá pra nós, por quê será que alguém que tenha lá um mínimo de QI vai aprontar e depois anotar tudinho com detalhes para o primeiro enxerido que achar o diário ler e depois jogar a merda toda no ventilador?

Como eu disse para meu marido, não tenho segredos, nada a esconder. Se tivesse, podem ter certeza que tomava até remédio pra esquecer, imagina então se eu ia escrever em um diário.

(zailda coirano)

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Muito pouco para quase nada

6 julho, 2008

Me conta Karin Osmeus que teve educação primorosa, e se fala assim tão empolado não é culpa sua. Educada em colégio de freiras, em casa convivia com a tia que era professora de português. Nada de erros de concordância ou de gírias, era o mínimo que a tia lhe cobrava por um prato de comida e um lugar para dormir.

Curso de letras (orientada pela tia), perambulara com seu diploma debaixo do braço pelas escolas, e ao final de alguns meses, vendo minguar suas parcas economias, resolvera aceitar qualquer coisa. Tudo para não deixar a cidade grande e voltar com o rabinho no meio das pernas pra sua cidade natal conforme profetizara a tia antes de ela partir com a mala repleta de esperanças e de um lado o diploma.

Seu emprego atual num call center não era o que sonhara mas dava pra viver e pagar as contas. Complicado era comunicar-se com os clientes.

– Operadora Karin Osmeus. Bom dia, senhora. Qual é a sua graça?

– Não tô com graça não, moça. Tô puta da vida porque essa porcaria que me venderam não está funcionando!

– Ajudar-lhe-ei com sua solicitação se fizer-me o favor de dizer-me sua graça.

– Já disse que não tô com graça!

– Pois bem, senhora. Em que posso ajudar-lhe? Qual a natureza de sua solicitação?

– Pô, que língua você fala?

– Português, senhora. Conceder-me-ia dois minutos de seu precioso tempo para preencher um formulário para que eu possa proceder à verificação necessária para a configuração de seu aparelho de telefonia celular?

– ……

Me conta ela que a senhora desligou.

(zailda coirano)

Brigando com o caixa eletrônico

29 junho, 2008

Infelizmente o dinheiro é um mal necessário e para gerenciar e guardar nosso mingüado salário temos que recorrer aos bancos, que são órgãos prestadores de serviço. Mas a partir do momento que abocanham nosso dinheiro não o querem largar mais e para dificultar ao máximo sua retirada criaram essas máquinas do inferno que resolveram batizar de “caixa eletrônico”.

Depois de trabalhar por 19 anos num banco e sendo uma pessoa razoavelmente instruída e treinada no uso de aparelhos e máquinas diversas, ainda assim às vezes me vejo quase que saindo no tapa com uma geringonça dessas.

E não é que as porcarias têm vontade própria? Se não nos curvarmos à tonelada de rituais de apertar botão, enfiar cartão, digitar senha de 6 números, agora a de 4, enfia o cartão novamente, agora a senha de letras, agora confirme, aperta outra tecla, nada de fazer o que queremos com NOSSO dinheiro!

E por quê, em nome de todos os capetas do inferno, não padronizam seus caixas? Porquê a cada banco temos que nos acostumar a uma dezena de procedimentos diferentes? Será que pensam que temos neurônios extra só pra guardar as senhas de números e de letras que eles bem entenderem?

Engraçado é que na hora de guardar lá o seu dinheiro não pedem senha nenhuma, é só assinar que basta, e passa pra cá o seu dinheiro. Mas quando a gente vai retirar ou fazer qualquer coisa com ele, já começam os impecilhos. E nem na agência a gente pode entrar mais, porque tem lá uma porcaria de uma porta eletrônica que não impede assalto mas irrita cliente porque só de pensar na palavra “metal” ela já apita!

(zailda coirano)

Espancamento em Sorocaba

20 junho, 2008

Vendo o vídeo do espancamento em Sorocaba (blog Words) a gente fica pensando que depois esses monstros podem ser presos (ou não) e SE forem presos têm que ter seus “direitos humanos” respeitados: 4 refeições balanceadas por dia, banho de sol, em suma, casa e comida de graça. Tudo bem que é na cadeia, mas terão que ser sustentados por nós, as pessoas que trabalham para manter o mercado de trabalho em constante crescimento e aquecer a economia do país. E qualquer um de nós pode ser o próximo escolhido quando eles quiserem espancar outra pessoa porque estão chateados sem ter nada para fazer.

Mas se forem mesmo para a cadeia, vão ter direito a advogado, comida, banho, tudo o que um ser humano precisa para viver dignamente. E pensar que a maioria de nós, os trabalhadores, não consegue pagar nada disso com o próprio salário!

Até quando vamos continuar mantendo monstros como esses à solta, ou então atrás das grades, mas com direito a tudo o que é negado ao trabalhador honesto que sobrevive com um salário mínimo?

(zailda coirano)

IPMF, CPMF, CSS e outras bobagens do gênero

30 maio, 2008

Quando a CPMF nasceu ganhou o nome de IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira) e tinha um curto prazo para acabar, era apenas um SOS que na época o governo alegava ser necessário para evitar que a previdência fosse para as cucuias. Com verba destinada à saúde, na verdade foi copiada da idéia do PT que pregava a extinção de todos os impostos, substituindo-os pelo IU (Imposto Único) que seria um desconto de 1% sobre qualquer movimentação bancária. A idéia era boa porque acabava definitivamente com a burocracia e lentidão da máquina tributária brasileira, mas o governo gostou da idéia do desconto sobre movimentação e criou o IPMF – também conhecida como “imposto do cheque”.

Findo o prazo do IPMF o governo criou um “novo” tributo, batizado então de CPMF que reinou soberano durante anos e estávamos até acostumados a ele como se acostuma com um calo no dedinho do pé, mas também esse tinha seus dias contados e foi com alívio que vimos a tal CPMF dar adeus e ir-se para sempre para os confins do inferno.

Nem bem respiramos aliviados e já surge uma outra novidade governamental, dessa vez não mais em caráter provisório (tiraram o P da sigla) e lá vem de novo a CPMF de roupa nova, goela abaixo do povo brasileiro, dessa vez com o simpático nome de CSS. Que me desculpe aí o caro leitor mas não posso deixar de registrar aqui um comentário um tanto vulgar mas que se ajusta como uma luva à situação: “A bosta muda, mas os mosquitos são sempre os mesmos”.

Não importa quantas vezes o mesmo imposto seja mudado e renomeado, a merda é sempre a mesma, que resulta em desconto no já ultra-estropeado salário do trabalhador, e os mosquitos somos nós, o povo brasileiro, que sempre tem que pagar a conta pelos desvios e má administração do dinheiro público.

O que necessitamos é de seriedade por parte do governo para gerenciar suas contas e fazer uma faxina na previdência, adequando-a à realidade brasileira, porque até um imbecil sabe que se deve gastar conforme o ganho e se o governo desconhece essa máxima da economia não é justo que recorra sempre ao nosso bolso quando a vaca insiste em ir pro brejo.

Já tivemos o “empréstimo” compulsório da gasolina, o aumento da contribuição da previdência em folha de pagamento e agora está aí essa sarna do IPMF, CPMF, CSS (ou seja lá como quiserem chamar, pra mim dá no mesmo) que não quer mais nos largar, como se fosse justo já receber o salário com uma coluna de lançamentos de descontos muito mais longa que a de proventos, pagar imposto sobre tudo o que consumimos ou qualquer serviço prestado, pagar imposto sobre o que adquirimos de forma legítima (como IPTU e IPVA) e ainda nos sobretaxam na conta bancária!

Como diz o Chico na música Deus lhe Pague, temos que pagar pra nascer, pagar pra comer, pagar pra vestir, pagar pra tudo, e agora ainda temos que pagar para usar o nosso dinheiro! É uma lástima saber que vivemos num país que tem um leque interminável de opções para desenvolver a economia e tudo o que o governo consegue enxergar é enfiar a faca no bolso dos trabalhadores como forma de aumentar suas divisas!

Vivemos num país de cultura econômica pobre e analfabeta, cujos parâmetros não obedecem às leis econômicas que regem o restante do mundo. Aqui não se gasta conforme se ganha nem se usa o trabalho para gerar capital. Aqui simplesmente se cria uma lei para retirar uma parte do nosso dinheiro que está em nossa conta bancária. E nem precisam de senha!

(zailda coirano)

Gastando vela com mau defunto

28 maio, 2008

Todos nós temos aquele amigo que aparece desconsolado com um problema e nos pede ajuda para encontrar a solução. Claro que como amigos temos o maior prazer em ajudar e lá vamos nós racionalizar o problema e tentar dar sugestões que possam ajudar. Mas acontece que esse amigo é daquele tipo que sempre está enrascado e nunca faz o que você sugere.

Tem gente de todo tipo nesse mundo e esse tipo de amigo é muito comum, eu mesma já tive vários assim. Te pedem opinião, chegam a dialogar com você e parece que ficou tudo claro, você se despede dele com a sensação do dever de amizade cumprido…

Que nada! Ele não ouviu nem uma palavra do que você falou, quando apareceu na sua casa já tinha bem clara a atitude que tomaria frente ao problema e só foi lá te alugar um pouquinho. O que eu acho é que esse amigo só precisava da sua atenção e sentir que você se preocupa com ele.

Tudo bem, mas pra quê então gastar o fosfato pra ficar achando soluções que serão descartadas assim que ele virar as costas? Eu já tenho uma forma de agir nesses casos, escuto tudinho e depois digo:

– Como você é uma pessoa inteligente, sei que já deve ter pensado em uma solução para o caso, e como é algo muito pessoal, não me sinto à vontade para dar palpite.

Digo isso da forma mais delicada possível para que ele não interprete como “vire-se!”, mesmo porque eu já tenho meus próprios problemas (que esse tipo de amigo raramente quer escutar) e se o que ele quer não é opinião coisa nenhuma, o melhor é deixar que faça exatamente o que ele quiser fazer. Afinal, dando você uma sugestão ou não, por melhor e mais sensata que ela seja, é o que ele vai acabar fazendo de qualquer maneira.

(zailda coirano)

Namorando um imprestável

28 abril, 2008
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Você aí, minha amiga, que é tão prendada, que sabe bordar e cozinhar que é uma maravilha, é uma dona-de-casa de mão-cheia, sabe conciliar como poucas a vida doméstica e a profissional, que já tem seu carrinho e curso universitário. Pois não é que de repente apareceu na sua vida aquele gato engraçadíssimo, que transforma sua vida em alegria e risadas, que faz com que você suspire pela hora dele chegar?

Ah, mas como ninguém é perfeito, e ele também não poderia ser, ele não completou os estudos e no momento não está empregado. Já está desempregado há algum tempo mas ninguém vê o que você vê nele. Nada de arrumar nada. Ou vai ver o futuro chefe não acha a mesma graça que você nas piadinhas dele, não é mesmo?

Quando saem quem paga a conta é você, afinal o coitadinho fica tão sem-graça (ou pelo menos ficava no começo) mas garante que quando arrumar “alguma coisa” vai pagar tudo.

Claro, nessa onda de feminismo não há nada demais você pagar a conta. Ou pelo menos, rachar a conta. E você já parou pra pensar que ele pode estar bem cômodo nessa situação e que não se esforça nem um pouco pra arrumar nada? Talvez o simples fato de namorar você pra ele já seja um emprego, afinal você já lhe dá presentes (tudo o que ele precisa) e em troca ele te diverte às pampas.

Ah, ele também é ciumento? De vez em quando fica até rude, mas é porque ele te ama (pensa você) e assim vão brigando, reatando, quebrando o pau e cada vez a coisa fica pior e você não entende o que está acontecendo…

Bem, peraí, não acha que já está na hora de parar pra pensar em uma ou duas coisinhas? Em primeiro lugar, quem foi que disse que namoro é profissão? Cada um na sua, você tem seu emprego e ele também deve ter o dele, por mais modesto que seja. Se for mesmo muito modesto, nada demais você bancar a maior parte das despesas de vocês, mas pára por aí. As despesas dele quem tem que suprir é ele mesmo, você não é mãe dele nem nada…

Se ele não quer voltar aos estudos, o problema é dele, mas se ele quer mesmo ficar com você seria interessante ele se esforçar pra melhorar, não é mesmo? Quando a gente ama quer chegar até onde está a pessoa e não puxá-la pra baixo…

E depois esse negócio de “ciúme” a mim não convence. O que ele tem medo é de perder a “boquinha” pra outro cara, melhor que ele – e como ele não se esforça, é o que mais há, não é mesmo?

Olhe bem à sua volta: há muitos caras interessantes, resolvidos tanto profissional quanto emocionalmente, por quê é que você está perdendo seu tempo com um cara tão dependente, que não sabe ir à luta e nem dar valor ao conselho e exemplo de alguém bem melhor sucedida, ou seja: você?

Tem certeza de que ele se esforça mesmo pra conseguir o que quer pelo próprio esforço? Ou será que ele já se acomodou a ficar pendurado na barra da sua saia?

Se eu fosse você pesaria bem os prós e contras dessa relação e conforme fosse o resultado, partiria pra outra, porque se ele já está conformado com a situação é porque com toda a certeza ele não te merece.

(zailda)